StarWars: O Despertar da Força

StarWars Poster

Um dos motivos do retorno do Clictec era a falta de lugar para dar vazão a minha empolgação, diversão ou conclusão de algo. O sentimento envolvendo StarWars foi tão forte quanto a porta que arrebentou o pé de nosso querido Han Solo (Harrison Ford) durante as gravações. Me lembro da sensação ao ouvir que todo o legado de George Lucas estava caminhando para a Disney, lembro da sensação ao saber do anúncio do episódio 7, de saber que o novo filme teria como base efeitos práticos e como suporte os efeitos especiais e por fim da sensação mais poderosa de todas, o primeiro trailer. Tudo culminou em uma das melhores experiências que tive nos cinemas, mas vamos por partes.

Fã ou não de StarWars temos aqui uma grande carga emocional, é quase impossível conhecer alguém que nunca tenha se envolvido com a série de filmes, seja por sua audácia quando tudo foi iniciado ou por sua trilha sonora marcante. O Despertar da Força tentou mostrar que muita coisa nova estava prestes a acontecer, mas junto dela teríamos de volta praticamente todo o grupo que deixou sua marca na primeira trilogia. Desde o início tudo era extremamente promissor, o estilo visual estava ali mas com uma pitada atualizada mostrando ângulos de câmera diferentes e como dito antes, trazia de volta um tom de realismo. Literalmente tivemos a exclusão do fundo verde, estamos olhando para um deserto? Ele é real, todos estiveram ali! Estamos olhando para seres extraterrestres das mais diferentes formas? Eles também são reais. Essa volta ao passado vale para praticamente tudo, desde um grupo de stormtroopers até uma magnífica Falcon.

É difícil falar de StarWars e sua história sem tocar em pontos cruciais. Mas nesse novo episódio conseguimos absorver algo diferente, estivemos presentes de uma mistura bem equilibrada de duas gerações. Como disse antes, um dos grandes pontos do filme e de seus trailers foi buscar o nosso sentimento de nostalgia. Apesar de nos dias de hoje tais trailers serem base para a aniquilação do longa, posso dizer de voz alta que nessa história temos muito, mas muito mais a ser revelado durante seus 135 minutos. Neste longa temos o início de uma nova ordem, assim como o Império que no passado havia sido comandado por Darth Vader, estamos presentes da Primeira Ordem, grupo que também possui como objetivo a derrota dos rebeldes e por sua vez minar o poder da República. Dessa vez tomando o posto das ações obscuras somos apresentados à Kylo Ren (Adam Driver), um cavaleiro que além de seus objetivos primários idólatra as ações passadas de Vader, tentando continuar seu trabalho para enfim finalizá-lo. Uma gama de variados Stormtroopers está agrupada em vários pontos da galáxia, assim como o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis), um ser enigmático que exige respostas e dedicação de seus subordinados. Tanto os rebeldes quanto a primeira ordem possuem o mesmo objetivo, conseguir a última parte do mapa que os levará até o local onde Luke Skywalker (Mark Hamill) está. Em uma investida contra os rebeldes, Poe Dameron (Oscar Isaac) é capturado. Poe é um dos melhores e mais famosos pilotos do grupo rebelde, com ele estava a última parte do mapa, mas antes de ser pego, Poe coloca as informações em seu robô (BB-8) para que o mesmo fique a salvo e longe das mãos inimigas. Nesse meio tempo eventos acontecem e acabamos sendo ligados aos novos personagens da trama, Rey (Daisy Ridley) e Finn (Jhon Boyega). Rey é uma garota habilidosa, sozinha consegue sobreviver ao ambiente e desafios diversos encontrados em Jakku, no entanto por mais que demonstre força, algo prende Rey neste local. Finn por outro lado decide que não existem limites quando sua sobrevivência está em jogo, decide deixar a Primeira Ordem e seguir um caminho que o leve para o mais longe possível deste local ou dos conflitos que são eminentes.

Toda a trama do filme utiliza o mesmo empenho utilizado nos trailers, personagens novos como BB-8 possuem papéis importantíssimos, porém todo o restante trás consigo o peso de seus personagens, de suas aventuras passadas e claro, muito carisma. Talvez a coisa mais legal em O Despertar da Força seja exatamente isso, o uso da força. A utilização desse poder é incessante, fica visualmente bonito e tem um bom lugar na história em si. Tudo foi conduzido com carinho e com muita coerência, mas existem pontos que acabam se tornando um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Dizem por aí que esse é um filme sem coragem, um filme que apostou em uma fórmula consagrada e que possui muitas similaridades com os episódios anteriores. Isso não é mentira, porém não é algo tão grave assim. Em O Despertar da Força existem decisões completamente malucas quando você percebe que em algum momento elas sequer foram colocadas no papel. Por motivos óbvios não vou comentar quais são, mas que são surpreendentes não há dúvidas. No entanto outros pontos são claramente bobos e mal aproveitados, um dos mais graves na minha opinião é o rumo dado para a Capitã Phasma (Gwendoline Christie), não é exagero, mas durante anos e anos não via um personagem sendo tão mal utilizado.

Apesar de ter alguns problemas, deixar algumas dúvidas e pontos mal amarrados, devo dizer que me sinto mais do que satisfeito. Muitas coisas que tornaram a trilogia anterior em algo massante foram completamente removidas. Você pode tentar mas dificilmente encontrará problemas políticos ou alguma reunião longa o suficiente para causar desatenção. StarWars definitivamente encontrou a magia presente nos estúdios Disney, deixa uma ótima primeira impressão e causa arrepios só de imaginar o que o futuro guarda.