Creed: Nascido Para Lutar

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Uma das formas mais inteligentes de entreter alguém é buscar similaridades e através delas usar seus tropeços como motivação para conquistar sua superação. Pra mim, esse sempre foi pilar que serviu como base para toda a série de filmes estrelada por Rocky Balboa, apesar de algumas mudanças é visível perceber que essa fórmula está sendo usada em Creed.

Durante anos ficamos emocionados com o personagem criado por Sylvester Stallone. Personagens inesquecíveis foram mostrados durante os filmes e por sua vez ao longo da vida do lutador. Vimos o crescimento e amadurecimento de Rocky, vimos o amor sendo conquistado, elos de amizade sendo criados e logo depois sendo partidos de forma cruel. No filme lançado em 2006, conseguimos ver como a vida é dura, e como o único responsável para melhora-lá somos nós mesmos. Creed veio para fechar alguns elos na vida de Rocky, veio para colocar na prática a esperança ou a ideia de algum dia vê-lo como treinador. O novo longa mostra a busca por um legado e pelo sentido da vida. Talvez não seja um dos melhores filmes quando comparado com os anteriores, mas sem dúvida se comporta como um novo caminho, um novo potencial para a marca, que querendo ou não poderia ter chegado ao fim, nos deixando órfãos de uma experiência tão rica.

Neste novo filme temos como estrela Adonis Johnson (Michael B. Jordan). Adonis é filho do amigo e rival de Rocky, Apollo Creed. Desde pequeno, Adonis era um garoto problemático, apesar de ao longo de sua vida ter o conhecimento de que se trata de um filho de uma lenda, de possuir um ótimo emprego e uma nova promoção, Adonis decide evitar de qualquer forma o uso do nome de seu pai. Usando o sobrenome Jhonson ele busca um novo rumo para sua vida, pois algo dentro de si o puxa de volta para o mundo do boxe.

Creed é a amostra e a tentativa de um novo futuro. Como dito antes, não existem muitas mudanças em sua fórmula, na verdade muitas cenas passadas são refilmadas para buscar sua lembrança e ao mesmo tempo atualizá-las, seja com bom humor ou apenas para cumprir o ciclo de treino até o momento cultivado. Como esperado, Creed também traz algumas surpresas, temos momentos onde seu coração ficará partido e momentos onde novos questionamentos sobre esse futuro surgirão. A trilha sonora funciona como sempre, acompanha o filme para fornecer a base para as emoções, mais uma vez é usada de forma gloriosa e bem inteligente.

Creed é a escolha do caminho certo para a atualização, é o ponto de partida para uma nova era, para uma nova geração, para um novo ídolo.

StarWars: O Despertar da Força

StarWars Poster

Um dos motivos do retorno do Clictec era a falta de lugar para dar vazão a minha empolgação, diversão ou conclusão de algo. O sentimento envolvendo StarWars foi tão forte quanto a porta que arrebentou o pé de nosso querido Han Solo (Harrison Ford) durante as gravações. Me lembro da sensação ao ouvir que todo o legado de George Lucas estava caminhando para a Disney, lembro da sensação ao saber do anúncio do episódio 7, de saber que o novo filme teria como base efeitos práticos e como suporte os efeitos especiais e por fim da sensação mais poderosa de todas, o primeiro trailer. Tudo culminou em uma das melhores experiências que tive nos cinemas, mas vamos por partes.

Fã ou não de StarWars temos aqui uma grande carga emocional, é quase impossível conhecer alguém que nunca tenha se envolvido com a série de filmes, seja por sua audácia quando tudo foi iniciado ou por sua trilha sonora marcante. O Despertar da Força tentou mostrar que muita coisa nova estava prestes a acontecer, mas junto dela teríamos de volta praticamente todo o grupo que deixou sua marca na primeira trilogia. Desde o início tudo era extremamente promissor, o estilo visual estava ali mas com uma pitada atualizada mostrando ângulos de câmera diferentes e como dito antes, trazia de volta um tom de realismo. Literalmente tivemos a exclusão do fundo verde, estamos olhando para um deserto? Ele é real, todos estiveram ali! Estamos olhando para seres extraterrestres das mais diferentes formas? Eles também são reais. Essa volta ao passado vale para praticamente tudo, desde um grupo de stormtroopers até uma magnífica Falcon.

É difícil falar de StarWars e sua história sem tocar em pontos cruciais. Mas nesse novo episódio conseguimos absorver algo diferente, estivemos presentes de uma mistura bem equilibrada de duas gerações. Como disse antes, um dos grandes pontos do filme e de seus trailers foi buscar o nosso sentimento de nostalgia. Apesar de nos dias de hoje tais trailers serem base para a aniquilação do longa, posso dizer de voz alta que nessa história temos muito, mas muito mais a ser revelado durante seus 135 minutos. Neste longa temos o início de uma nova ordem, assim como o Império que no passado havia sido comandado por Darth Vader, estamos presentes da Primeira Ordem, grupo que também possui como objetivo a derrota dos rebeldes e por sua vez minar o poder da República. Dessa vez tomando o posto das ações obscuras somos apresentados à Kylo Ren (Adam Driver), um cavaleiro que além de seus objetivos primários idólatra as ações passadas de Vader, tentando continuar seu trabalho para enfim finalizá-lo. Uma gama de variados Stormtroopers está agrupada em vários pontos da galáxia, assim como o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis), um ser enigmático que exige respostas e dedicação de seus subordinados. Tanto os rebeldes quanto a primeira ordem possuem o mesmo objetivo, conseguir a última parte do mapa que os levará até o local onde Luke Skywalker (Mark Hamill) está. Em uma investida contra os rebeldes, Poe Dameron (Oscar Isaac) é capturado. Poe é um dos melhores e mais famosos pilotos do grupo rebelde, com ele estava a última parte do mapa, mas antes de ser pego, Poe coloca as informações em seu robô (BB-8) para que o mesmo fique a salvo e longe das mãos inimigas. Nesse meio tempo eventos acontecem e acabamos sendo ligados aos novos personagens da trama, Rey (Daisy Ridley) e Finn (Jhon Boyega). Rey é uma garota habilidosa, sozinha consegue sobreviver ao ambiente e desafios diversos encontrados em Jakku, no entanto por mais que demonstre força, algo prende Rey neste local. Finn por outro lado decide que não existem limites quando sua sobrevivência está em jogo, decide deixar a Primeira Ordem e seguir um caminho que o leve para o mais longe possível deste local ou dos conflitos que são eminentes.

Toda a trama do filme utiliza o mesmo empenho utilizado nos trailers, personagens novos como BB-8 possuem papéis importantíssimos, porém todo o restante trás consigo o peso de seus personagens, de suas aventuras passadas e claro, muito carisma. Talvez a coisa mais legal em O Despertar da Força seja exatamente isso, o uso da força. A utilização desse poder é incessante, fica visualmente bonito e tem um bom lugar na história em si. Tudo foi conduzido com carinho e com muita coerência, mas existem pontos que acabam se tornando um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Dizem por aí que esse é um filme sem coragem, um filme que apostou em uma fórmula consagrada e que possui muitas similaridades com os episódios anteriores. Isso não é mentira, porém não é algo tão grave assim. Em O Despertar da Força existem decisões completamente malucas quando você percebe que em algum momento elas sequer foram colocadas no papel. Por motivos óbvios não vou comentar quais são, mas que são surpreendentes não há dúvidas. No entanto outros pontos são claramente bobos e mal aproveitados, um dos mais graves na minha opinião é o rumo dado para a Capitã Phasma (Gwendoline Christie), não é exagero, mas durante anos e anos não via um personagem sendo tão mal utilizado.

Apesar de ter alguns problemas, deixar algumas dúvidas e pontos mal amarrados, devo dizer que me sinto mais do que satisfeito. Muitas coisas que tornaram a trilogia anterior em algo massante foram completamente removidas. Você pode tentar mas dificilmente encontrará problemas políticos ou alguma reunião longa o suficiente para causar desatenção. StarWars definitivamente encontrou a magia presente nos estúdios Disney, deixa uma ótima primeira impressão e causa arrepios só de imaginar o que o futuro guarda.