
Não é de hoje que existe uma barreira entre a sala de cinema e a minha vontade de viver novas experiências e através delas conquistar novos caminhos para a minha imaginação, para meus sonhos e até mesmo para a motivação do dia-a-dia. Uma prova disso é o filme À Procura da Felicidade, mas isso é algo que se tudo der certo eu falarei em breve.
Nunca vi nos trailers uma disputa, me entusiasmei com muitos e em outros casos me arrependi de tê-los vistos. Aqui é diferente, apesar de já ter na minha mente o ambiente e a chave para entrar nesse universo acabei caindo no mesmo resultado visto em outros tempos, satisfação total.
Dessa vez o vilão da história se chamava Cinemark. A rede de cinemas que na época era a única na minha cidade deixou toda a aventura de Zack Snyder fora de seus planos, assim também foi com Burlesque das queridas Christina Aguilera e Cher.
Além dessa atitude sem motivo, a rede ficou marcada para mim por salas e visitantes intragáveis. Não aguento mais a conversa que rola solta no meio do filme, não aguento mais o som que vaza das salas que exibem filmes em 3D, não aguento mais as filas intermináveis e os poucos funcionários, não aguento mais o descaso com os clientes que no fundo apenas estão ali porque amam o cinema. Antigamente minha tática era diferente, se um filme me chamava atenção eu apenas fazia minha tentativa nos domingos às 11:00 horas da manhã, um horário totalmente inusitado, mas horário esse que me presenteava com uma sala meramente vazia e descente. Hoje nem com isso posso contar mais.
Quando Sucker Punch foi lançado o cinema mais próximo ficava a duas cidades da minha, algo que simplesmente não justificava o trajeto pelo fato do tal cinema ser pior do que tínhamos na rede Cinemark. Hoje uma nova possibilidade se abre, mais cara e complicada, porém é uma nova fuga, ainda não tive a oportunidade, mas vejo na rede Cinépolis e em suas salas VIP de R$ 49,00 uma saída para algo que estava acabando com aquilo que mais amo, o cinema.
Ontem foi o dia que pude colocar tudo em seus eixos, finalmente vi o tão esperado Sucker Punch e percebi como nossa empolgação pode ser preenchida e até superada. Desde o início, desde a primeira foto, desde o primeiro poster vi que mais uma vez seria contagiado pela beleza, pela atuação e pelo visual fantasioso que Emily Browning me traria.
Não deu outra, apenas me arrependo por não ter visto isso tudo antes.
A história é estranhamente simples, tudo gira em torno da Lennox House, uma casa que “cuida” de pessoas com problemas mentais. Emily, ou melhor, Babydoll vai parar nessa unidade através de seu padrasto, um homem abusivo que tem a idéia de lobotomizá-la, tudo para que a fortuna deixada por sua mãe fique em suas mãos. A garota no entanto descobre que tem cinco dias para planejar e escapar antes que o cirurgião chegue. A Lennox House também é conhecida por dar aos seus visitantes um certo gostinho do que as garotas podem proporcionar. As danças no estilo Burlesco são o forte do espetáculo, porém apenas Babydoll é capaz de deixar todos de queixos caídos. São nesses momentos que tudo muda, o filme curiosamente nunca mostra a personagem dançando, sempre que ela começa somos transportados para o universo que ela imagina, tudo para camuflar o plano real e assim conseguir os itens necessários para escapar em tempo.
As danças, ou melhor, as batalhas são impecáveis. É incrível ver como Zack Snyder abusou dos recursos visuais e da criatividade, afinal cada mundo possui características únicas que fazem tudo fluir naturalmente. No geral temos cenas épicas contra guerreiros feudais, um dragão medieval, inimigos futuristas e até mesmo uma batalha nas apertadas e perigosas trincheiras de uma distorcida Primeira Guerra Mundial.
Apesar de ter adorado, talvez Sucker Punch não seja perfeito para o público geral, talvez seja um colírio para os homens e um exagero sem sentido para as mulheres. Pra mim o que vale é que realmente não me decepcionei, vi que a pequena Violet cresceu, vi que por mais incrível que seja nossa imaginação tudo pode melhorar.
É arriscado dizer, mas Sucker Punch é tão bom quanto um Game of the Year, é tão bom que por mais que novas tentativas sejam feitas, isso é o que teremos de mais próximo entre videogames e cinema, ou cinema e videogames.
Sucker Punch é simplesmente fantástico.